Oi, Geeennte!
Ativismo gera ansiedade que gera improdutividade que enche a mente, o que não é bacana. Tem horas que dá aflição. Às vezes é bom sair de cena e tomar um chá.
Então, eu fui... e estava eu "reflexionando" quando me deparei com algo que caiu como uma luva:
Faz algum tempo que de vez em quando eu sumo. Não chego a desligar o celular ou ir para uma caverna, apesar de muitas vezes ter vontade, mas ultimamente tenho criado momentos de sumiço para mim mesma. Às vezes, inclusive, preciso fugir de mim, da própria Flavia, quando sinto que estou ficando chata. E mesmo quando eu não posso fugir fisicamente de um lugar ou momento que me incomoda, eu trato de achar um jeito de fugir da minha mente inquieta e em qualquer um dos casos, depois volto com um sorriso bobo e enigmático, como se nada tivesse acontecido. Acredite, às vezes sumir pelo tempo que demoraria para se tomar um chá é o suficiente, seja seu próprio chá de sumiço.
Quando percebo que estou prestes a saturar ou explodir deixo alguém sem resposta imediata no messenger ou não abro a janelinha do Whatsapp. E de vez em quando eu deito na cama e fico parada dentro de mim pensando um monte de coisas desconexas, sem me cobrar de nada.
Dar uns perdidos pode ser libertador. Dar umas respostas diferentes ou meio sem sentido, também. Pare de gerar provas contra você o tempo todo, brinque um pouco mais consigo mesmo.
Decidi ter esses pequenos momentos de sumiço quando notei que havia virado sinônimo de 100% disponível e que a ansiedade estava me corroendo. Se me chamavam no chat do Facebook eu respondia quase que imediatamente e, assim, muita gente começou a ficar mal acostumada com minha hiper disponibilidade.
Por muito tempo me deixei envolver por muita coisa comecei a ficar ansiosa. Fiquei dependente de check-ins que denunciavam em que lugar eu estava, quando ninguém precisava saber. Passei a pegar o problema do outro e tentar resolver, quando na verdade nem ele mesmo estava tão preocupado assim em dar um jeito e vi que precisava parar de fazer isso, porque eu não podia salvar o mundo.
Sempre que chegava um e-mail eu não sossegava enquanto não o abria para responder com meus dedos fervilhantes, tudo que me importava era responder e me livrar daquilo, simplesmente me incomodava ver aquilo ali me esperando. Chegou a um ponto em que eu não consegui parar de olhar notificações e alternava tarefas de uma maneira que estava ficando incontrolável. Não estava conseguindo me focar porque muita coisa pedia minha atenção.
Experimente sumir e deixar alguém acomodado resolver alguma coisa sozinho sem depender de você, o momento vai ser incrível, porque tem gente que só funciona no susto, no tranco para se soltar.
Notei que momentos de sumiço também ajudam a clarear ideias e dar uma resposta muito melhor e mais adequada. Às vezes precisamos "dormir a ideia".
Dar pequenos sumiços pode ser um bálsamo em sua rotina. Experimente mudar o rumo do nada, diga um não quando não teria coragem, diga um sim quando teria medo, diga a alguém que não sabe a resposta para algo quando na verdade esperavam que você soubesse exatamente como resolver, destrave bloqueios bobos que você cria sem perceber do tipo, "não vou passar naquela rua porque nunca passo" ou "sorvete antes do almoço é ruim", "ir ao zoológico num dia de semana é impensável" quebre regras, vá a um lugar não planejado. Passe sim numa sorveteria e tome um sorvete de doce de leite antes do almoço, e daí que você vai estragar o apetite? Aonde estava escrito que era proibido comer doce antes do salgado? Você tem a vida toda para comer salgado antes do doce e, mesmo que por um infortúnio não tenha e morra amanhã, poxa, você foi feliz tomando um sorvete naquela tarde chata e comum!
Já tentou ir ao cinema sozinho ou fazer uma viagem sem pensar muito antes? Já deu a louca e saiu de cabelo molhado e tênis no pé quando você era a senhora certinha que só andava por ai de cabelo escovado, maquiada e de salto alto? É libertador.
Desde que comecei a me permitir mais com essas pequenas fugas que criei para mim, me sinto melhor. Sempre fui a certinha cheia de regras e rotinas, mas eu percebi que estava começando a virar uma velha ranzinza aos 30 anos quando fazia um ritual extenso antes de dormir: arrume a roupa de amanhã, vista o pijama, lave o rosto com este produto, depois passe aquele outro, agora o antiidade, escove os dentes...ufa, isso cansa.
É claro que não se trata de ser irresponsável, de abandonar clientes ou chamados importantes, de virar uma bagunça. É apenas uma questão de priorizar, nem tudo precisa ser respondido ou feito na hora. Nem tudo é para ontem. Não precisamos ser tão disponíveis assim. E muita coisa tem uma ordem mais apropriada para se tornar otimizado, tipo passar em um lugar amanhã e não hoje, já que amanhã farei aquele trajeto.
Para me organizar melhor passei a não confiar só na memória e anoto todos os meus compromissos no Google Agenda. Dos horários de aulas na academia, passando por reuniões, aulas, prazos com documentos e contas, até consultas médicas e horários de manicure. Dessa forma consigo me planejar na semana e no dia, olho logo cedo para a agenda e sei no que preciso gastar esforços e o que pode ficar para depois. Inclusive posso olhar que aula da academia acontece naquela brechinha que tenho entre uma atividade e outra e aí me permito fugir um pouco e ir fazer o que gosto, treinar.
Tenho usado a regra 80/20 de Pareto, que diz que 20% das coisas entregam 80% do valor, ou seja, parei de gastar tempo com o que não vai se reverter em nada de interessante.
De vez em quando eu dou um sumiço e depois volto muito melhor. Experimente você sumir momentaneamente também ;)
Texto de: Flavia Gamonar
Um excelente fim de semana!!
San Bezerra