Quando eu tinha uns 11 anos li um livro da Serie Vagalume, quem lembra? "Enrola, desenrola", era uma historia de suspense que a cada capitulo você podia escolher que rumo queria dar ao enredo.
Achei e ainda acho aquilo um máximo, me desafiava a ler o livro várias vezes para descobrir finais diferentes pra ver se minha escolha tinha sido a mais emocionante.
Lembro de um amigo que mesmo nos dias em que estava muito frio ia de bermuda e camiseta pra escola. Todos o repreendiam e ele dizia: o frio é psicológico. Mesmo depois de escapar de uma grave pneumonia ele insistia em sua tese.
Estou falando sobre isso porque é surpreendente como a vida nos desafia a tentar dominar o que é por si só indomável: o rumo das coisas e o que elas nos provocam.
Aquele livro me fazia sentir no controle, uma sensação de domínio e frio na barriga ao mesmo tempo, mas eu podia decidir o que estava por vir. Já o Marcus achava que era capaz de dominar o frio.
Digamos que se eu fosse o Marcus e despontasse um céu nublado eu me preparava para um frio de 0º. Valorizava em excesso a sensação térmica.
Ele escolheu sua pneumonia e eu minhas próprias consequências de querer controlar tudo na vida. E tive decepções com os ideais que criei de família, amor, profissão. Várias vezes tentei fazer e refazer o final, mas, enfim... na pratica é tudo muito diferente do “enrola e desenrola”.
Foi duro, mas tive que aprender a não querer dominar as circunstâncias. Por que não ser controladora faz parte de uma sábia escolha que nos remete a viver a beleza do inesperado. E, esperar que algo bom nos surpreenda é FÉ.
Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. (1 Coríntios 2:9)
Camila Santos
